O primeiro emprego a gente nunca esquece

O primeiro emprego a gente nunca esquece

Assim como o primeiro beijo, a primeira viagem de avião, a compra do primeiro imóvel e o primeiro grande amigo pet

Como é gostoso quando a gente começa a ganhar o próprio dinheiro! O primeiro, então, tem um gostinho todo especial! Desde menininha, nas brincadeiras de quintal, minhas amigas eram donas de casa, tinham filhinhas bonecas, esmeravam-se no preparo do jantar para receber o “marido”. Eu também fazia tudo isso, mas no meu imaginário da brincadeira de casinha, levantava cedo, fazia o café para as bonecas e saia pro trabalho. Vejam só! Ficou claro, desde cedo, que a minha missão não era ser esposa e rainha do lar; muito embora até hoje goste muito de cuidar da casa, cozinhar.

No “Fantástico Mundo de Catarina” a vida profissional ganhava os holofotes e, com apenas 14 anos de idade, já julgava estar pronta para me jogar no mercado de trabalho, sem ter noção dessa profundidade. Meu pai teve que fazer verdadeiras acrobacias para me segurar.

Mas ele não conseguiu adiar por muito tempo. Pouco antes de completar 18 anos acordei uma manhã e senti que não poderia esperar nem mais um minuto! Queria minha independência pessoal e financeira.

Eu estudei em um colégio do estado, desde que tinha 7 anos de idade, e conhecia o diretor, os professores, os serventes, a tia da cantina… Sendo assim, achava mais do que natural pedir um emprego, afinal já estava no 4o. ano de Magistério com especialização na pré-escola, curso que fiz porque meu pai achava que como professora nunca morreria de fome, nem ficaria sem emprego….rs

E foi isso que eu fiz! Acordei decidida, vesti a roupa mais “profissional” que encontrei no armário e parti para conversar com o Sr. José, diretor da escola vizinha da minha casa. Ele me recebeu prontamente e ouviu minha proposta com muita paciência. Sorriu como um pai que tem orgulho da filha e, para minha surpresa, aceitou minha proposta.

Nossa! Era o auge! Eu estava trabalhando! Embora fosse somente a professora substituta que seria acionada quando a substituta oficial não estivesse presente, ainda assim o “cargo” fez com que eu me sentisse PODEROSA!

Passei a planejar detalhadamente as aulas que daria incluindo muitos bate-papos e dinâmicas para engajara turma. O detalhe é que parte da “criançada” tinha quase a minha idade pois haviam muitos repetentes. Acho que esse foi um diferencial importante porque eu sabia como conversar com o meu público, conhecia seus anseios, dúvidas e tinha uma linguagem bem adequada.

Agora percebo que já tinha “cabeça de comunicóloga”

Na hora do intervalo entrava em reunião com os demais professores na sala da diretoria. Fazia carinha séria e comentava as novidades que estava aprendendo no curso de magistério. Era a “mascotinha” da escola e todos, inclusive o Diretor José, me apoiavam bastante. Nunca senti algum tipo de competição ou rivalidade, ainda mais porque eu não era ameaça para os demais professores concursados.

Esse foi o início da minha vida profissional. Não ganhava muito dinheiro, nem tinha uma jornada certinha de trabalho, mas me sentia responsável e adulta. Enfim, era DONA DE MIM.

Guardei essa recordação tenra por toda minha vida.

E foi essa Catarina idealista, cheia de vontade de apender e ensinar, sem vícios ou cicatrizes que entrou para o mundo corporativo onde aprendi, de verdade, como a banda toca!

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